Quando a arte imita a Vida

03/02/2014

O cenário das empresas familiares não fica restrito às pequenas empresas, estando presente também em grandes empresas, e, inclusive, em companhias multinacionais. Consultores apontam que além da possibilidade da continuidade da empresa por várias gerações, o ambiente familiar também propicia uma base sólida para continuidade do empreendimento, ainda que não apenas entre família.

            No entanto, um dos problemas que impedem a continuidade da empresa conforme originariamente planejado pelo fundador, é o despreparo dos herdeiros envolvidos nos negócios. Recentemente, a ficção retratou a má administração de um negócio familiar em horário nobre. A novela “Amor à Vida” retrata vários problemas na gestão do hospital San Magno, comando pela Família Khoury.

O folhetim trouxe um dos mais frequentes impasses enfrentados pelas empresas familiares - a ausência do preparo de um sucessor que esteja tecnicamente apto, tenha interesse em ser sucessor da empresa e esteja por dentro e alinhado com as estratégias do negócio. O que acaba ocorrendo muitas vezes é uma ‘dança das cadeiras’, na qual os candidatos à sucessão do fundador não possuem o devido preparo, como foi o caso da personagem Paloma Khoury, interpretada pela atriz Paola Oliveira, médica pediatra que assumiu o cargo de Presidente do Hospital San Magno em meio a turbulências familiares, sem haver avaliação de sua capacidade técnica para assumir esta posição.

Os especialistas convergem que outro ponto crítico da gestão da família empresária é a distinção entre as contas da empresa e as despesas familiares. Exemplo retratado na ficção pelo Dr. César Khoury (personagem de Antonio Fagundes), que desviou quantias significativas das contas do hospital para atender caprichos pessoais sem prestação de contas ou limite estabelecido. Sem falar no personagem mais marcante da trama, Félix Khoury (Mateus Solano), que superfaturou notas fiscais da empresa, a fim de obter recursos para abrir o seu próprio negócio, demonstrando clara divergência entre os interesses pessoais e os da empresa.

Não é preciso muita criatividade por parte dos folhetins para retratar as vidas reais quando o tema é erro de gestão, especialmente se falamos de empresas familiares, já que levantamentos apontam que pelo menos 85% das empresas são familiares, e enfrentam diariamente essas questões.

 A forma viável e saudável de evitar estes infortúnios é a atenção redobrada à gestão. Uma empresa, ainda que familiar, é uma empresa, e possui além do papel do sustento da família, o papel fundamental de subsídio social, seja dos colaboradores que nela trabalham, seja da sociedade que se beneficia com o resultado do seu trabalho. Como em qualquer empresa, é preciso valorizar o profissionalismo e deixar de lado o favoritismo. As funções dos familiares não devem estar atreladas ao papel dentro da família, mas sim à capacidade profissional de cada um. Atitudes como separação patrimonial e especialmente entender se o herdeiro quer mesmo ser o sucessor dos negócios são imprescindíveis para a boa saúde financeira e de gestão da empresa.

Por isso, é importante que haja o planejamento sucessório das empresas, especialmente as familiares, de modo que seus interesses sejam respeitados pelos sucessores e seus ideais incitados para a continuidade do negócio familiar. 


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