Até os Dragões poupam suas energias

11/10/2012

O medo inconsciente de que os chamados “Países em Desenvolvimento” explorassem seus recursos naturais e energéticos à exaustão, despreocupados com as consequências ambientais de uma marcha inconsequente para o desenvolvimento, parece desaparecer depois palavras como estas. Ainda mais quando se descobre que elas foram ditas pela vice-diretora para proteção ambiental da Comissão Nacional do Desenvolvimento e Reforma da China, Wang Shan-Cheng. Este é um sinal claro de novos tempos e um novo cenário, inimaginável há alguns anos atrás.

Que fator levou o “Grande Dragão” a ponderar acerca do fogo que vem expelindo sobre a economia mundial? Combustível, ou melhor: energia.

Estamos testemunhando o nascimento de uma nova percepção e consciência que, pouco a pouco, permeia nossas vidas, indo além dos selos de consumo encontrados nos eletrodomésticos. De elevadores com “drives regenerativos”, que permitem o reaproveitamento da energia desperdiçada na rede elétrica interna de um edifício, para sua reutilização por outros elevadores, iluminação, computadores e ar-condicionado (representando uma economia de até 75%), até postes de iluminação que, funcionando independentemente a partir de painéis solares e geradores eólicos acoplados, dispensam a infraestrutura do cabeamento elétrico, há uma ampla convergência para um ideal de consumo energético racional.

A acirrada competitividade industrial força empresas a reduzir custos de produção. Percebe-se cada vez mais, que o equilíbrio da equação consumo energético/produção pode garantir vantagens imbatíveis. Tome-se como exemplo estratégias adotadas por empresas brasileiras expressivas, como a Braskem, que compra aproximadamente 20% de sua energia do chamado Mercado Livre de Fornecedores; e Gerdau, que vem utilizando Gás Natural na produção de energia elétrica para mais de 90% de suas unidades globais. Que dizer, ainda, de um vasto número de empresas, que trabalham para ampliar a geração de energia a partir do aproveitamento de resíduos ou coprodutos, gerados de seus respectivos processos produtivos? Estas atitudes, além de louváveis, não são apenas uma resposta ao mercado, seja ele competitivo ou consumidor.

A preocupação de Governos com a crescente demanda energética, em especial países como os BRICs, leva-os a adotarem medidas eficazes de “poupança energética”. Proliferam tanto políticas de incentivo, tais quais Fundos Rotativos para conservação de Energia; Pacotes de Impostos Verdes para a indústria e isenções fiscais, quanto regulatórias, como a Lei Brasileira n° 10.295, que rege a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia. Surgem também medidas para punir aqueles que não se adequam a estes “novos tempos energéticos”.

Imagine ver-se obrigado a recolher um lote inteiro no dia seguinte à divulgação de um teste de consumo energético, realizado em um programa de televisão dominical de grande audiência, que constatou que seu produto não está de acordo com a “Norma XYZ”.

Ou ainda, descobrir que o carro chefe de suas exportações acaba de ser “sabotado” por uma pesada sobretaxa, imposta pela mais nova “Lei de Consumo Energético” decretando que seu produto seja adequado aos padrões estabelecidos naquele país ao qual se exporta.

Vive-se um momento de mudança e transformações, tanto de paradigmas quanto políticas de consumo energético. É fundamental que se esteja bem assessorado, para saber se a imposição de uma norma, regulação ou lei, lhe trará benefícios ou determinar que você arque com o ônus delas decorrentes.

A adequação normativa torna-se tão importante quanto o projeto do produto em si. Ainda mais num país cujo desenvolvimento econômico e demanda energética crescem a cada dia, forçando a administração pública a implementar intrincadas (e cada vez mais complexas) regras para o setor energético, no sentido de manter sua infraestrutura operante e eficiente, reduzindo-lhe o desperdício.

Pequim está consciente de que o caminho do desenvolvimento seguido pelos países ocidentais industrializados, marcados por um elevado consumo de energia não é viável na China, e Joseph Martin "Joschka" Fischer, antigo chefe da diplomacia alemã, apontou a tendência futura, considerando que as economias emergentes não têm mais do que duas ou três gerações para transformarem o seu desenvolvimento num modelo sustentável e baseado na eficiência de recursos, declarando que aquele país será o primeiro a alcançar este desenvolvimento verde.

Ao que tudo indica, e pelo empenho mostrado por seus representantes, China é o país que irá estabelecer o padrão para crescimento econômico energeticamente sustentável.

Considere, então, o fato de que, desde 2006, o Governo Chinês fechou mais de 20 mil empresas devido ao seu impacto ambiental negativo, especialmente quanto ao consumo energético.

A sua empresa seria uma delas?

Elaine Quimie Matsumura Almeida e Wilson Amaro Gonçalves Filho


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